quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

natal ...



quando nasceres,
meu menino,
vem de mansinho
que não toque nem um sino
nem uma estrela te siga,
não venham reis, nem pastores,
porque a mãe sabe o caminho...
numa gruta,
ou noutro lugar
assim escondidinho
deixa-te lá ficar
que só eu te veja, meu amor,
que não - direi
que só eu possa pedir - e pedirei
que só eu tenha
a
graça de abraçar-te,
porque mesmo
que
não voltes a nascer,
...nunca mais...
te deixarei morrer!
e só eu tenho o poder
de no ventre te carregar...
e para toda a parte te levar
enquanto eu viver !

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007


a
d
o
r
m
e
ç
o

a noite
no regaço
e deito-a no meu
leito.

o sono ?
é como o faço...

umas vezes um limbo
perfeito.

outras ... um eterno abraço !

para ti meu querido filho

domingo, 2 de dezembro de 2007

dai-me um abat-jour

Um abat-jour vermelho por favor
um abat-jour redondo antiquado
e, a tinta azul, no branco
avermelhando o encarnado
ou um soneto de amor.

Um abat-jour vermelho,
todo de cor,
de escuro carregado
naquele quarto de dormir,
à moda do passado
e um poema de amor.

Apenas isso: um abat-jour vermelho
um bloco de papel no móvel velho
e a tinta azul de amor.
Um abat-jour vermelho, de luz quente
Bastava-me isso hoje.
E de repente uma canção de amor


foto daí, dum lado qualquer


phaao





quinta-feira, 29 de novembro de 2007

chuva negra



naufrago noutra jangada

dentro de mim rasgada

dor, lágrima, rio, mar, enseada!...

não a vejo, não oiço,

mas sinto-a em mil

multiplicada...

ondulando no meu sangue

e na carne esquartejada...

trespassa-me como uma espada

sinto-a assim... despedaçada

sinfonia por mim escutada

pranto, grito, flor, chuva!...

chuva negra

e de todas as outras cores

- do negro -

já por mim derramada...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

queria ser água...


Queria fazer-me em água

num leito de rio... morar

escorrer-me de toda a mágoa

e no oceano... desaguar…

Vogar ao sabor do vento

Ser azul… ser verde mar

saber qual o momento

da minha dor poder lavar…

Queria a tua face na lua

para te ver sempre... e ter paz

ser lamento de sereia nua

na onda que se desfaz !

terça-feira, 20 de novembro de 2007

floresta viva

mãos de silencio erguidas
mãos de silencio verde
mãos contidas...
oh! céus, a terra não é verde
verdes são os meus cabelos...

A terra não é verde
é da cor do meu tronc0 torcido
e de outras cores vermelhas...
Tenho raízes
presas nos meus cabelos
por vento sofrido...

Oh! céus a terra não é verde
é cor de sangue !
Verdes são os meus cabelos...
o tronco de ametista
agulhas em novelo
que em vão o tempo fia...
Em vão
- como um artista -


phamao




segunda-feira, 12 de novembro de 2007

embala-me ...



Existem aqui estranhos ruídos
sopros, choros, gritos e gemidos
corpos, rostos, sem voz e sem olhar
gente, pedaços de coisas a saltar
lançando a morte e o nada para o ar
fragmentando os meus sentidos
ulcerando os meus ouvidos
com falsas canções de embalar

...mas
nesta febre dura e gelada
que para ti está guardada
nas palavras do pensamento
quando chegar o momento
o pó dos teus ossos vou mastigar
...a tua carne devorar
...o teu sangue sugar
sorvendo devagar
o teu último sopro de vida
que há muito me está prometida!
... então
serei eu a cantar
verdadeiras canções de embalar...

...
p.s. inspiração vinda de alguns comentários do post anterior

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

flores ...




... até para se ser flor é preciso ter sorte ...


umas enfeitam a vida


outras enfeitam a morte !

(desconheço o autor)

a semana que passou foi a semana (ou o dia) das flores)

é uma verdade, para enfeitar a vida, temos tanta coisa... todas as belezas do planeta, a música, os livros, os espectáculos em geral, todos os prazeres, e de facto para enfeitar a morte, (excluindo aquelas coisas do coração) só as flores... às vezes de plástico... como os sentimentos de certos seres huanos...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

nem só a Paz ...é amor !

soltem as ondas às sereias
que o rio corra para o mar
abram-me a alma
à luta
...que não tenho medo de amar...
soprem as núvens ao vento
atirem estrelas
ao luar
dêm vozes às armas
...que é tempo de lutar...
afoguem todas as mágoas
em profundas e verdes
águas
icem as minhas bandeiras
quebrem todas as barreirras
...que niguem me pode arrancar...
a força da razão
que me pulsa no coração
...e no meu sangue a jorrar...
... ... que eu vou morrer a lutar... ...
nada me faz parar
ninguem consegue mudar
este meu modo de amar...

A LUTAR! A LUTAR! A LUTAR!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

obrigada ...


obrigada, obrigada, obrigada,

por todo o mal que me alcança
pelo que me enraivece, tortura e cansa
pelo choro do velho e da criança,
pela míngua de pão e sal
pela minha cegueira e estupidez fatal...

obrigada, obrigada, obrigada,

por todo o meu ódio e vingança
pela onda destruidora que avança,
pelo caminho sem luz, sem esperança...

obrigada, obrigada, obrigada,

por toda a minha ""puta vida""
que entre a morte e a morte se balança ...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007


...pelas lágrimas vermelhas
e pela terra molhada
pelos uivos de loba ferida
e pela boca gretada,
por aquela porta aberta
e por aquela porta fechada,
pelo almoço de pedras cruas
e pela cruz carregada,
pela tua alegria perdida
e a minha tristeza encontrada...
por ladrões e mentirosos
assassinos e criminosos,
pelo pranto da madrugada...
e pela aquela dor retalhada
jurei
que a tua morte será vingada!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

oh! que linda tarde
diz a tarde para a tarde
que bom encontrar-te esta tarde
mas sabes que já é tarde
se não fosse tão tarde
ficava até mais tarde
adeus linda tarde
vou indo que se faz tarde...

poema feito ao fim da tarde

sexta-feira, 5 de outubro de 2007




quando enlouquecer...
que bem
irei gritar
um sublime amor
hei-de cantar
quando eu enlouquecer
soltarei o mar
para todo o mundo
navegar.
se a minha voz
fôr rouca ou dura
todos se afogarão na tortura.
se fôr preta
a minha cor

será azulada e salgada
a vossa dor.


quando eu enlouquecer...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

e ... o vento _____________ ameaça cada pétala

sexta-feira, 28 de setembro de 2007




Ontem fez-me rir o sol
esplendido.
o alaranjado do sol pôr.
teatral demais, aquele incendio.
vermelhões sangrentos,
num torpor
de ovo estrelado ---
--- e a incandescencia
de camadas de nuvens em vapor.
fingindo o sol afogar-se --- Enfim paciencia.
tem dias discretos, naturais.
mas às vezes. faz cenas teatrais.
melodramáticas, barrocas, fantasmais.
e. em vez de emocionar-me, acho-o castiço.
e até saloio.!.
Realmente ontem foi demais!
phaao

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

sem palavras...

e os gestos a surgirrrrrrr!

a dança pois... :))))

sábado, 22 de setembro de 2007

bruma ...

... existe um lago
onde a bruma torna escura
o ondular das águas ...
boiam olhares
de inacessiveis lágrimas...

de cima, um canto
num voo de ave pura
chamando mágoas e mágoas...

entrecruzam-se sorrisos
músicas sobrepostas
ritmos desfasados
que a dança das sombras procura...

phaao

bom fim de semana

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

palmaníaca ...









estive lá no metro... eu... e mais não sei quantos mil... foi o maximo !!!

ver várias gerações, tudo a cantar, dançar, ele é sem dúvida (para mim) um expoente muito elevado, na musica, a sua perfomance, o seu ar de malandro...

_____________

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Nocturno

Noite,
noite velha
nos caminhos.
A lua no alto
fingindo-se cega.
Estrelas. Algumas
cairam ao rio.
As rãs
e as águas
estremecem de frio.


Eugéniode Andrade
Primeiros poemas
bom fim de semana

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Directamente do Inst.de prevenção ao surto...


Atchim , atchim , atchim...
E hoje estou assim...
Atchim , atchim , atchim
Tu não te chegues a mim
Atchimmmmmm
Nariz a pingar,
os olhos a lacrimejar
E eu só faço assim:Atchimmmmmmmm
As palpebras se fecham ,
e eu não faço mais nada,
senão espirrar
Vou uma lingua nova
procurar
para dizer atchim
pois desta eu já estou cansada
De tanto espirrar assim.
E na àrabia eu passei
e assim cumprimentei:
Na Bulgária
espreitei e assim me pronunciei ...апчих"atchís"
e "atchús"nuestros hermanos por lá fazem"atjuu"
em Danéh será? ,
acho que sim ,não sei.
Ai o meu nariz,
ai os meus olhitos,
doridos de tanto atchum"hatsjoe" e "hatsjie"
ja se faz por lá em Neerlandês
A França já fui parar e "atchoum"
é o que está a dar
O nariz que não pára de pingar...
ler o resto aqui se lhe apetecer passar um momento de descompressão do stress de um dia de trabalho...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

aquela mulher ...


desde que nasceu.queria colorir o mundo.quase elouqueceu ...
entre rima,prosa e verso.procurava uma palavra mágica
onde coubesse o universo...
porém ... o estusiasmo perdeu.escondeu-se dentro da alma escura e fria.a vida não é encanto.
o mundo é que elouqueceu ...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

rafaela... para ti


... é apenas o meu outro "eu" fugidio ...
que comigo dança sob um translúcido fio

é uma linha vibrando amarga, frágil e tensa
musicada por uma dor intensa ...





segunda-feira, 27 de agosto de 2007

sonho ou pesadelo?




...fujo de mim para te alcançar ... nunca desisto...

tão simples? ... tão complicado?... tão estranho ...


sábado, 25 de agosto de 2007

cinzenta estupidez


"Se destruíssem todos os sonhos
dos homens,
a Terra perderia
suas formas e suas cores,
e nós adormeceríamos em uma cinzenta estupidez."

by rafaela

sábado, 21 de julho de 2007

olhar




..."Toquei-te na pupila embaciada

riscada de sombras...

nelas vi o rasto do caminho"...