domingo, 28 de setembro de 2008

as mãos pressentem...


As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar
ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada
Al Berto

domingo, 21 de setembro de 2008

Olhando o mar, sonho sem ter de quê




Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?

Fernando Pessoa

P.S. Huguinho querido, é para ti... sei que gostavas deste!

a mãe adora-te!

domingo, 14 de setembro de 2008

Para sempre...



Para Sempre


Por que Deus permite


que as mães vão-se embora?


Mãe não tem limite,


é tempo sem hora,


luz que não apaga


quando sopra o vento


e chuva desaba,


veludo escondido


na pele enrugada,


água pura, ar puro, puro pensamento.



Morrer acontece

com o que é breve

e passa sem deixar vestígio.


Mãe,

na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

- mistério profundo -

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará sempre junto de seu filho

e ele,

velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.




Carlos Drummond de Andrade

sábado, 6 de setembro de 2008

Já ando a tramar... alguma!!!



pois... pois... quando fico uns tempos caladinha!


A toda a gente que bem_me_quer, só digo que surgiu "milagrosamente" uma oportunidade ... de justiça terrena !!!



Vejo-vos em breve ;) ?