quinta-feira, 29 de novembro de 2007

chuva negra



naufrago noutra jangada

dentro de mim rasgada

dor, lágrima, rio, mar, enseada!...

não a vejo, não oiço,

mas sinto-a em mil

multiplicada...

ondulando no meu sangue

e na carne esquartejada...

trespassa-me como uma espada

sinto-a assim... despedaçada

sinfonia por mim escutada

pranto, grito, flor, chuva!...

chuva negra

e de todas as outras cores

- do negro -

já por mim derramada...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

queria ser água...


Queria fazer-me em água

num leito de rio... morar

escorrer-me de toda a mágoa

e no oceano... desaguar…

Vogar ao sabor do vento

Ser azul… ser verde mar

saber qual o momento

da minha dor poder lavar…

Queria a tua face na lua

para te ver sempre... e ter paz

ser lamento de sereia nua

na onda que se desfaz !

terça-feira, 20 de novembro de 2007

floresta viva

mãos de silencio erguidas
mãos de silencio verde
mãos contidas...
oh! céus, a terra não é verde
verdes são os meus cabelos...

A terra não é verde
é da cor do meu tronc0 torcido
e de outras cores vermelhas...
Tenho raízes
presas nos meus cabelos
por vento sofrido...

Oh! céus a terra não é verde
é cor de sangue !
Verdes são os meus cabelos...
o tronco de ametista
agulhas em novelo
que em vão o tempo fia...
Em vão
- como um artista -


phamao




segunda-feira, 12 de novembro de 2007

embala-me ...



Existem aqui estranhos ruídos
sopros, choros, gritos e gemidos
corpos, rostos, sem voz e sem olhar
gente, pedaços de coisas a saltar
lançando a morte e o nada para o ar
fragmentando os meus sentidos
ulcerando os meus ouvidos
com falsas canções de embalar

...mas
nesta febre dura e gelada
que para ti está guardada
nas palavras do pensamento
quando chegar o momento
o pó dos teus ossos vou mastigar
...a tua carne devorar
...o teu sangue sugar
sorvendo devagar
o teu último sopro de vida
que há muito me está prometida!
... então
serei eu a cantar
verdadeiras canções de embalar...

...
p.s. inspiração vinda de alguns comentários do post anterior

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

flores ...




... até para se ser flor é preciso ter sorte ...


umas enfeitam a vida


outras enfeitam a morte !

(desconheço o autor)

a semana que passou foi a semana (ou o dia) das flores)

é uma verdade, para enfeitar a vida, temos tanta coisa... todas as belezas do planeta, a música, os livros, os espectáculos em geral, todos os prazeres, e de facto para enfeitar a morte, (excluindo aquelas coisas do coração) só as flores... às vezes de plástico... como os sentimentos de certos seres huanos...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

nem só a Paz ...é amor !

soltem as ondas às sereias
que o rio corra para o mar
abram-me a alma
à luta
...que não tenho medo de amar...
soprem as núvens ao vento
atirem estrelas
ao luar
dêm vozes às armas
...que é tempo de lutar...
afoguem todas as mágoas
em profundas e verdes
águas
icem as minhas bandeiras
quebrem todas as barreirras
...que niguem me pode arrancar...
a força da razão
que me pulsa no coração
...e no meu sangue a jorrar...
... ... que eu vou morrer a lutar... ...
nada me faz parar
ninguem consegue mudar
este meu modo de amar...

A LUTAR! A LUTAR! A LUTAR!